8.10.07

E quando se vê atentamente...

Escrevi no meu diário esses dias umas palavrinhas - típico. Atípico é o fato de ele só ser escrito fortuitamente, em momentos eufóricos e doentios =D ou diante de uma grande impasse que mereça uma reflexão escrita. Assim, meu diário é um "Fortuiário", um "Eventuário", um "Quem sabe um dia eu não escrevo uma canção pra você".
É necessário também, quando vou escrever, de um clima adequado, música, meia-luz, formigamento interno e tudo o mais para sair algo "comível". É realmente um parto. Por vezes, ou melhor, por quase todas as vezes, o que eu posto no meu blog - mais eventual ainda - é tirado de meu diário.
Ora, fui verificar o por quê da minha escassez literária - já que todo e qualquer esboço de livro, conto e etc. ficou esquecido em minhas gavetas.
Há dias aterradores para todos, angústia, um deus inexistente, ou um deus que aponta e ri do alto. Miséria essa ser vivo sem escolher ser, sem saber do mundo que se vem parar. Enfim...E não é que esses dias tinham ou têm tomado muito conta do meu tempo?
Descobri também que não aproveitei bem minhas tristezas criativas para escrever algum conto maluco, alguma crônica assustadora ou alguma letra de música sem melodia; porém, junto a qualquer tristeza, desânimo, veio à consciência de que também não escrevo se não estiver só, de modo que pouco estive solitária. E por que queixar-se de estar só? Ora, qualquer pessoa com um pouco de sensibilidade sabe, sente quando se está em meio a uma multidão e se está só. Há pessoas, mas não há pessoas. O que fazer, afinal? O que fazer? Lamentemos, pois. Mas, tirando essa solidão acompanhada aos montes, há o que se tire da névoa baixa: quem sempre está conosco. Sempre há esse alguém, é impossível ser-se (não sei se "ser-se" existe, em todo caso...) tão só assim, não? Ou sim? Enfim, no meu caso entre os tantos por aí, isso não foi possível. Sempre há esse alguém, sozinha não estou, e, por parte, não escrevi em meu diário por isso.
E por que o fato de eu escrever ou não é importante aqui? O tema da postagem? Ora, de fácil explicação...Há quem goste de colecionar figurinhas, carrinhos, bonecas, sapinhos de pelúcia, bolsas Prada; eu cresci lendo e escrevendo; há quem se liberte andando de bicicleta, dançando, fumando maconha, atuando, chorando compulsivamente, comendo chocolate, gritando; eu me liberto escrevendo. E veja que é algo sutil, meio suave, silencioso, triste. Quase ninguém sabe disso, se todos fossem cientes disso não seria da conta deles e a maioria deles não entenderia muito porque é incomum - atípico...E poderia finalizar com uma nota grave ecoante no chão liso sem ranhuras: Óh, e muitos não entenderiam, muitos menos seriam aqueles que este texto leriam! Mas nada disso...Prefiro enfatizar minha descoberta de que não estou só. Sempre há aquele alguém, sempre.

2 comentários:

Rafael disse...

Ok, o que comentar diante disso? Muito bem escrito...admirável....coisas assim, coisas que você já ouviu enfim....
Estar só? Sempre há aquele alguém? impossível não se sentir estranho....
bjs.

Rafael disse...

"Aquele" alguém